De Senador a Criminoso: Por que a Rua Peixoto Gomide deve mudar de nome em São Paulo.

Político influente do início do século 20, Gomide assassinou a própria filha por não aceitar seu noivado; projeto de lei para renomeação avança na Câmara Municipal.

A Rua Peixoto Gomide, uma via de aproximadamente 2 quilômetros que corta pontos nobres de São Paulo entre a Avenida Paulista e a Avenida 9 de Julho, carrega em suas placas o nome de um dos protagonistas de um dos crimes mais chocantes da história paulistana. Mais de um século depois, o passado de Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior motiva um movimento para apagar sua homenagem do mapa da cidade.

O Crime que Abalou a Capital
Em 20 de janeiro de 1906, a elite paulistana foi sacudida por uma tragédia familiar dentro de um casarão na Rua Benjamin Constant. Peixoto Gomide, então senador e uma das figuras mais poderosas do estado, utilizou um revólver Smith & Wesson para matar a filha, Sophia Gomide, de apenas 22 anos. Logo após o disparo, o político cometeu suicídio.

O motivo do crime foi o inconformismo de Gomide com o relacionamento de Sophia. A jovem estava com o casamento marcado para a semana seguinte com Manuel Baptista Cepelos, um promotor público e poeta de Itapetininga. A união não contava com a aprovação do senador, que preferiu o fim trágico da linhagem ao enlace da filha.

A Carreira Política
Antes de se tornar o centro de um infanticídio, Gomide construiu uma trajetória sólida no poder:

Formação: Advogado pela Faculdade de Direito de São Paulo (Largo São Francisco).

Atuação: Foi promotor em Amparo e fundador do jornal republicano A Época.

Ascensão: Eleito senador em 1893, chegou a ocupar o cargo de vice-presidente do Estado (equivalente a vice-governador) e a presidência interina de São Paulo.

A Proposta de Mudança
O projeto de lei que visa renomear a via é de autoria das vereadoras Luna Zarattini (PT) e Silvia da Bancada Feminista (PSOL). O argumento central é a inadequação de se homenagear, em uma via pública, um homem que cometeu um ato de violência extrema contra a própria filha.

A proposta avançou na Câmara Municipal de São Paulo, que tem como presidente o Vereador Ricardo Teixeira, sendo aprovada em primeira votação nesta quarta-feira (18). Para que a mudança se concretize, o texto ainda precisa passar por:

Segunda votação no plenário da Câmara.

Sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Nota Histórica: Na época, a edição do jornal O Estado de S. Paulo descreveu o crime com tons de horror e indignação, refletindo o impacto que a queda de um “pilar da República” causou na sociedade da República Velha.

Francisco de Assis Peixoto Gomide. Foto: José Ferraz de Almeida Júnior/Pinacoteca de São Paulo

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