Diagnóstico Tardio no Espectro Autista (TEA) e no TDAH: Um Olhar Que Tem Chegado Tarde, Mas Tem Chegado

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são condições que afetam o desenvolvimento do cérebro desde a infância. Elas influenciam a forma como a pessoa aprende, se comporta, se comunica e se relaciona com o mundo ao seu redor.

Mesmo assim, muitas pessoas só recebem o diagnóstico de TEA ou TDAH na vida adulta. Esse fenômeno, conhecido como diagnóstico tardio, tem se tornado cada vez mais comum. É um tema que vem ganhando espaço dentro das famílias, já que muitos pais, mães, filhos e até avós estão descobrindo, depois de anos de luta silenciosa, o motivo de tantos desafios enfrentados ao longo da vida.

Estudos mostram que cerca de 1 em cada 36 crianças está no espectro autista (CDC, 2023) e que cerca de 5% da população mundial tem TDAH. No entanto, 60% dos adultos com TDAH nunca foram diagnosticados corretamente quando crianças, e cerca de 30% a 40% dos adultos autistas só recebem o diagnóstico após os 18 anos.

Esse aumento nos diagnósticos em adultos também está levando a um efeito em cadeia: muitos pais descobrem que têm TEA ou TDAH depois que um filho recebe o diagnóstico. Com isso, começam a reconhecer os mesmos sinais em si mesmos ou em outros membros da família. É comum ouvir frases como: “Agora tudo faz sentido” ou “A vida inteira me achei diferente, mas nunca soube o porquê”.

O diagnóstico tardio, embora traga um choque inicial, também pode significar alívio, acolhimento e recomeço. Muitas pessoas finalmente entendem suas dificuldades escolares, profissionais, sociais ou emocionais. Com essa nova compreensão, é possível iniciar terapias, tratamentos adequados e desenvolver estratégias que realmente funcionem para cada pessoa.

Além disso, o diagnóstico dentro da família pode transformar as relações. Ele gera mais empatia, respeito pelas limitações do outro e um olhar mais humano sobre o que antes era visto como “preguiça”, “desatenção” ou “frieza”. Muitas famílias relatam que, depois do diagnóstico, passaram a se entender melhor — inclusive resgatando vínculos que antes estavam desgastados por julgamentos e cobranças.

Por isso, falar sobre diagnóstico tardio é urgente. Ele quebra o preconceito, ajuda a reconhecer a neurodivergência como parte da identidade da pessoa e abre portas para uma vida com mais bem-estar e autenticidade. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de viver com leveza, saúde emocional e qualidade nas relações.

Se você ou alguém da sua família vive com dúvidas sobre seus comportamentos, emoções ou dificuldades, procure ajuda profissional. Nunca é tarde para se entender e começar a cuidar de si com mais amor e clareza.

Psicóloga | Neuropsicóloga: Maria Valneusa Bernardo de Araújo
CRP: 06/142010

Mais informações contato pelo formulário ou pelo whatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *